terça-feira, 9 de agosto de 2011

APAIXONEI-ME DE NOVO

   
Desvio meu olhar para o oceano. Vislumbro as gotas do amor doce que trago no peito. Choro juntos com o orvalho. Uma saudade invisível no meu coração.
Pode sentir que não te quero. Ou posso mesmo não dizer ou assumir.
Pode saber fitando meus olhos a imensidão do que sinto por ti.
Desgosto e dor misturam-se no meu seio. Já morto, já pálido, já triste. Amargura pelo adeus tão sofrido. Ardor pelo silencio que dilacera a alma.
Nunca saberei se foi um sonho. De fato despertar é algo mórbido. Seu vazio completa o meu vazio. Somos um só choro na madrugada fria.
Não há silencio, não há palavra. Não há mais nada a se viver, ou a se dizer ou a se pensar.
Basta que nos toque as gotas de sereno orvalho. Basta que nos inunde o peito o desejo de amar. Basta que olhemos juntos as estrelas e nos queimemos no sorriso da lua. Basta apenas que ao encontrarmo-nos nos olhemos intensamente e no estalar de um dedo nos entreguemos à paixão que nos devora a tanto...
Mesmo sem ti serei eu. Mesmo sem mim serás tu. Mas mesmo sem nós seremos nós. Porque somos eternos e infinitos amantes que em singelas manhãs sempre se encontrarão. Sempre alcançarão o êxtase da avassaladora e irresistível força de amar. E sempre terão a lua como testemunha da ínfima, mas intensa e sóbria paixão que os abate sorrateiramente em meio ao nada.
Sempre serão galhos de ti e de mim que farão nossa arvore sombrear verdes campos... Oferecer sempre aos amantes [Como nós também fomos outrora] uma sombra, um regaço, um abrigo, um lugar sossegado para amarem sem reservas, sem medo.
Um sossegado caminho por entre as pedras onde poderão descansar dos desatinos da vida, um paraíso só deles para que possam eternizar nos seus corações os sentimentos que os enchem hoje de alegria e felicidade. Então, talvez, não se percam um do outro como nós nos perdemos. Ou talvez não precisem jamais mendigar o amor de outros, como nós hoje mendigamos. Ou ainda, talvez, não se deixem afastar pela tempestade, talvez eles sejam mais rocha e menos areia, como nós fomos areia e simplesmente hoje não somos mais nada.
Somos apenas você e eu, nada mais!
Pergunto-me todas as manhãs, quando acordando vejo, seu lado da cama tão vazio e meus braços tão tristes e meus olhos tão risonhos, em que momento nós nos partimos e nos dividimos e deixamos definitivamente de ser felizes? Quando mesmo que decidimos que você ia embora, que eu que ia ficar sozinha? Quando mesmo que juntamos nossos sonhos e os dividimos meio a meio, matando alguns? Quando mesmo que falamos sobre a partida? Que era algo muito improvável e até impossível, dizíamos sempre que não podíamos ser um sem o outro, lembra-se disso? Quando? Afinal quando foi mesmo que o amor que existia tornou-se um latejar utópico nos nossos seios? Quando os nossos sorrisos começaram a desvanecer sem nem ao menos serem projetados para o outro?
Quando que os nossos beijos tornaram-se mornos acasos de fim da tarde e nossos abraços espinhos cortantes que dilaceraram nossa delicada pele?
Não amor. Eu também não sei essas respostas.
Só sei que hoje, ao abrir meus olhos e sentir a brisa que atravessava a janela e me tocava, lembrei-me de você e apaixonei-me de novo... Como na primeira vez!
Posso negar para mim, mas não posso negar para você que eu o amo muito e que hoje, especialmente hoje, senti muita saudade de nós!


[07/08/2011]