quinta-feira, 6 de outubro de 2011

TRIANGULO AMOROSO

     
         Andrew andava meio desiludido com a vida depois de ter sido encurralado por aquele absurdo triangulo amoroso, o qual renegara desde o inicio, ele tinha que suportar ver sua amada nos braços de outro e ficar sofrendo em silencio... A amargura inundara sua alma porque ele tinha planejado dias de alegria e felicidade ao lado de seu grande amor. Agora tudo não passava de ilusão... Acostumar-se com aquela situação não era fácil, evita-la tampouco o seria.
      Caminhava lembrando-se dos seus devaneios amorosos e sinceramente lamentava e ate sentia certa culpa por ter demorado tanto a assumir seu sentimento. Agora também sentia que ela o havia apunhalado pelas costas, propor um triangulo amoroso pra ele assim, como se fosse à coisa mais natural do mundo estar aqui e ali o fez questionar quem verdadeiramente era ela. Ele a amava e sabia que viver sem ela não seria assim tão fácil... Mas tolerar vê-la com outro eram outros quinhentos. Então contava seus passos entediados e a brisa que tocava sua pele o fazia sentir-se desolado. Que droga! Nunca se sentira tão frágil e sem ela tudo poderia lhe ferir. Estar com ela era na verdade um modo de ele sossegar num sentimento tranquilo e sereno era o que ele pensava, erroneamente, de fato. Ele dera-se conta de que estava circularmente enganado ao subestima-la. Ela sim, tinha-o surpreendido de modo nada agradável. Era preciso que ele confessasse pra si mesmo que viver sem ela era uma tormenta, mas que aceitar sua proposta era indigno. Se o fizesse sentir-se-ia sujo e medíocre. Amava-a e exatamente por isso queria-a só para si. Ora, quem já viu amar um e estar com outro? Pior, como ela podia afirmar que ama os dois quando de fato não ama a nenhum? Se realmente amasse alguém, além dela mesma, claro, não os causaria tanto dano. Como ele pode aceitar tal proposta? Era absurda demais pra ser real. Ele mesmo não aceitaria jamais. Não, assim não dava. Melhor dois do que um, dizia um velho ditado, mas não é assim não, estamos falando de compromisso, fidelidade, essas coisas, será um castigo que aquela cabeça de vento não podia entender que ele sim a amava? Será mesmo que ela era quem ele sempre julgou que ela fosse? Nossa, ele pensou que conhecia ela, mas não podia esperar uma atitude tão mesquinha e insana. Como ela pode propor isso a ele? Ah, ela também não o conhecia. Tudo havia sido um terrível engano. Eles não se pertenceram e deste modo arbitrário não se pertenceriam jamais. Ela era muito tola por deixa-lo, pensava ele tentando convencer esse seu órgão inútil que batia no peito alvoroçadamente só de pensar no nome dela. Não seria como ela deseja. Ele tinha honra e hombridade para sofrer em silencio se fosse necessário, mas abrir mão de sua dignidade por um amor assim chulo não valia a pena.
     Estava cansado de tanta dor e resolveu escrever sobre o que sentia... Alguns anos atrás Andrew fez um best-seller que foi aplaudido de pé pela critica. Contava uma história inacreditável de uma mulher que propôs viver um triangulo amoroso e de um cara bobão, mas muito digno que disse não e virou escritor.
     Hoje Andrew vive com sua mulher e seus gêmeos Henrique e Fernando na costa das ilhas Canarias. Planejam conhecer a Disney no fim do ano, os gêmeos estão aprendendo português e O papai coruja quer apresentar seus filhos ao Nordeste do Brasil, leva-los a sua terra natal e fazê-los grandes homens, tão dignos quanto ele mesmo fora.

Texto dedicado a meu amigo Heber Arruda