quinta-feira, 6 de outubro de 2011

TROUXE FLORES PARA VOCÊ

      
          Soube que era uma data especial, mas não pode estar do lado dele, esperava que ele a perdoasse por isso.
    
      Ela bateu na porta ansiosa, não sabia como ele reagiria ao seu pedido de desculpas, ela o havia deixado esperando por algo importante, não fora possível estar presente, sentia muito por isso e desejava muito poder abraça-lo e pedir perdão por sua ausência. Esperou um pouco até que ele abriu a porta. Ele estava serio, ele sempre lhe devotava um sorriso, sua seriedade a deixou triste, sabia agora que ele realmente estava muito ofendido. Ele disse:
 
      - Você por aqui? Entra. Como vai?
      - Eu trouxe flores para você.
      - Obrigado, mas não precisava... Você não estava aqui...
      - Sinto muito. Eu não sabia. Perdoe-me.
      - Não importa mais. (Ele tinha um olhar triste)
      - Pode pelo menos me ouvir? Serei breve e se eu convencê-lo do quanto me importo você me dá um abraço, certo?
      - Certo. Acho difícil que me convença, mas não quero que diga que não a deixei tentar.
 
      - Quero-te tanto meu querido forasteiro. Às vezes me pergunto se você é mesmo real, porque eu esperei tanto algo na minha vida e do nada aparece você. Admita que foi um acaso nosso encontro nesta vida... Eu não esperava e você do nada estava lá. Um forasteiro, sem rosto, meio indiscreto na primeira conversa, tão especial que eu desejei que durasse pra sempre. Assustou-me um pouco sua segurança em falar comigo, sua autoridade me deixou subjugada e não podia mais evitar porque por mais que sua presença não fosse possível sua ausência seria impossível. Eu te havia escrito dentro do meu peito como um belo poema de amor. Era inexorável... Sua vida e a minha tinham sido ligadas violentamente e belamente pelo acaso do nosso encontro. Quando me contou que tinha uma identidade, eu já era sua lembra? Fui tão sincera com você. Ei, é você que sabe meu telefone, meu endereço, eu sequer sei onde moras. Não, eu não estou te cobrando nada. Sua expressão de carinho por mim me conquistou. Desejei por tantos momentos que pudesses estar do meu lado, mesmo quando ainda não tinha um rosto pelo qual sentir saudade. Então certo dia aconteceu o inesperado. Você tinha um rosto. E se rosto era lindo! E você me deixou conhece-lo. Fiquei feliz por um segundo, logo depois fiquei confusa e triste porque concluí que você iria embora, a sua revelação para mim era um adeus. Inexplicável como muita coisa em você. Chorei e fiz um texto de despedida intitulado ‘ Amigo Abençoado’, texto esse que nunca publiquei porque você não se foi. Lembro-me do que me disse na nossa conversa subsequente ‘ Pessimista não. A mulesta!’, eu sorri não pela expressão, mas pela felicidade de saber que você não tinha ido, que minha intuição estava errada. Depois disso passamos a ser de algum modo um do outro. Não no sentindo romântico. Eu já sabia que você tinha um relacionamento, que você a ama, e eu respeito muito esse seu sentimento e ate admiro sua honestidade e franqueza. Esses dias eu estava pensando em como a vida é engraçada. Por alguma razão, que eu simplesmente desconheço, temos estado um pouco distantes. Deve ser por conta do trabalho, no seu caso, da universidade, no meu caso. E mesmo distante o que é hilário é que não sei se sou presente pra você, mas para mim você e figura de todo dia, como o café da manhã, totalmente aqui. É que você esta dentro de mim. É serio. Você não devia duvidar do que te digo. Quando você entrou na minha vida, ainda como anônimo você me falou muitas coisas e eu tinha duas opções, crer ou não crer. Eu optei por acreditar e pronto, você tomou conta dos meus dias, dos meus sonhos, dos meus pensamentos, e tornou-se parte essencial de minha vida. Então por isso, acho que você pode escolher crer ou não crer. Será sempre assim... A escolha é sua, meu Querido.
 
      Ele sorriu e abraçou-a apertado. Ela desejou que fosse eterno aquele abraço. Ele sempre seria seu querido forasteiro! Ele pode sentir uma lágrima quente e grossa molhar sua face e escorrer por seu ombro... Sim, ela estava perdoada!

Texto dedicado a meu querido Edwin :)