sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

RETROSPECTIVA EMOCIONAL 2011


        Ando por aí tendo uma estranha sensação de vazio... Quer dizer, estranha não, porque na verdade, sei de onde ela vem e o porquê de ela me tomar assim tão desprevenida. Eu gostaria de poder explicar para mim e para os outros o motivo de não haver, ao menos, por enquanto, aquele forte brilho de luz nos meus olhos, sabe aquele brilho que se percebe nos olhos do amante do existir, aqueles que parecem que vivem somente por respirar, sem mais preocupações, sem mais desgostos? Eu não sou mais assim... Digo que não sou mais porque acho, apenas acho, não tenho certeza, que um dia, distraidamente ao me olhar no espelho, vi este brilho inundar meu olhar. Lembro-me que este foi um dia tão bom... Mas, foi só um dia, e talvez tenha sido só minha impressão. Agora seria bom fazer um balanço do ano que se passa, já é quase um novo dia de um novo ano e, ás vezes, eu penso que nada muda, mas sei que estou enganada... Então, vamos abrir a mala do ontem e ver o que podemos fazer com nossas coleções de memórias e quais de nossas recordações valem a pena serem guardadas, quais lembranças devem ser queimadas e esquecidas para sempre, sei que essa é a parte mais difícil, mas é um mal necessário.
        2011! Ah! Você foi como um baile de carnaval que pode dar tudo ou nada. Deu tudo, ou quase tudo a uns, tirou muito, ou tudo de outros, deixou marcas e dores que por mais que tentássemos apagar elas simplesmente não se irão de nosso âmago, não nos deixarão, mas podem ser deixadas por um pouco na parte mais profunda de nós, não deve mais nos ferir. Outras por mais periféricas que sejam, aquelas de um olhar, um tapa, um escorregão, um não, devem ser totalmente esquecidas. Dessas não deve haver recordação alguma, não valem a pena. Mas, vamos deixar de lado as dores e vamos às alegrias, as novas amizades, ‘novas’, não necessariamente verdadeiras. É isso mesmo, porque novas amizades são constantes no existir de alguns, não no meu, mas no de alguns sim, e elas não são sempre verdadeiras, quase nunca o são. Mas, se em algum momento nos trouxeram paz, sorriso, animação, sonhos, então são dignas de serem lembradas, aclamadas e depois deixadas de lado... E os amores? Ah, a estes sim um paragrafo especial...
       Amores vividos, saldo positivo ou negativo? Não sei. Você é que sabe. É você que sabe quantos olhares e beijos deu em 2011, por quantas mãos andou teu coração, por quantos becos e vielas passeou tua alma apaixonada. Você é a única pessoa que sabe por quantos sonhos se perdeu, por quantas noites não dormiu, ou dormiu demais, só para amar... È só você que sabe quantos dias e quantas horas esperou em vão ou não pela pessoa amada, quanta ansiedade tomou-te de supetão. Quantos atrasos? Quantos abraços? E perdões? Quantos perdões couberam-te conferir este ano aquele serzinho que não podes sequer imaginar existir sem ele? E quantas vezes ele é que teve de te perdoar hein? Quantos momentos compartilharam? Quantas vezes estiveram juntos, sem nada para fazer, e mesmo assim agradeceram ao outro por ele existir e estar ali? Quantas vezes esquecemo-nos do MAIS importante! Somos assim, todos cometemos erros e aceitar que os cometemos já nos torna seres melhores, mas, mais que isso devemos tentar corrigi-los e não voltar a cometê-los. Claro que sei que errar e um modo de acertar, que nossos erros são em muito uma fonte válida de aprendizado, eu mesma já aprendi muito desse jeito, mas doe tanto que se eu pudesse escolher não os cometeria de novo... Ou cometeria, sei lá! Isso não é a questão, a questão é que errar nem sempre é tão ruim, quando somos suficientemente inteligentes para tirar uma boa lição do erro. Não estou aconselhando ninguém a sair fazendo coisa errada e dizer que este é um caminho ao acerto, mas antes eu digo pra você recordar seu erro e ver o que pode aprender dele, o que saiu errado, qual a razão de ter sido um erro, e analise se não daria para fazer diferente... Sei que isso parece bobagem, talvez até seja, mas uma bobagem que é real, se você souber que pode fazer a mesma coisa que fez de errado de um jeito certo, na próxima, não sairá fazendo bobeira fará a coisa certa e da maneira certa, o que é no mínimo ideal... E convenhamos aqui, quem gosta de sofrer pelos erros? Ninguém gosta... Claro que há os masoquistas, mas estes não são muitos. Queremos mais é acertar! Queremos ser vencedores! Admirados! Queremos ser bons e não ‘bonzinhos’! E fazer a coisa certa e um modo certo de ser MUITO BOM.
         Vamos ao outros quesitos de nosso existir... Tipo, quanto de oxigênio você usou em 2011? Kkkkkkk, brincadeira. Mas, agora é serio quantos livros você leu e quanto aprendeu sobre o mundo, e quanto descobriu sobre os seres estranhos e embolorados e cheios de emoções que nos rodeiam? Quanta poesia respirou? E quantas vezes a brisa da manhã que te toca foi sentida? E quantas vezes alguém te ligou no meio da noite pra dizer que TE AMA? Ou enviou-lhe uma mensagem em plena madrugada dizendo que sente saudade? Ou acordou você com um café da manhã dos sonhos, ou fez com você uma viagem fantástica, ou beijou-lhe de surpresa, ou declarou-se para você em meio ao nada, inesperadamente a fez a pessoa mais feliz com o gesto mais simples que há? Se não aconteceu nada disso com você não se lamente, muitas dessas coisas não aconteceram comigo também... Mas, tenho certeza que no próximo ano meu saldo será mais positivo... Ano que vem eu conto o que aconteceu comigo certo?
         Enfim, este ano foi médio. Um meio termo. Uma metade. Um pedaço de alguma coisa maior que não pude desfrutar. Uma parte importante de algo maior que será revelado algum dia quando abrir novamente meu baú. Se eu o abrir novamente algum dia... Por enquanto, já sabe que tenho alguma estranha razão para sentir esse estranho vazio não é? Não sabe? Não entende? Nem eu entendo... Vamos esperar que exista um lindo amanhã e que ele nos explique!
     

          P. S: Meu querido VELHO você foi muito cruel, roubou-me muitas estrelas e deixou-me com grandes lacunas na alma, trouxe-me também algumas flores (amigos e amores) que duraram apenas uma estação, mas ainda acredito em você... Acredito no novo. Acredito que tudo será melhor amanhã...