sábado, 30 de junho de 2012

AS SOMBRAS DE UM PASSADO



Samantha caminhava sozinha á noite quando se deu conta de que algo a estava seguindo, sentia olhares atentos queimando sobre sua pele e não podia ver nada além das sombras negras nas arvores grandes. Sabia que algo no seu interior a atemorizava e há alguns dias não se sentia segura. Ontem, quando foi deitar teve a leve impressão de que alguém a tocava. Arrepiou-se ao lembrar-se da imagem dele em seu braço. Olhou fixamente para aquele rosto estampado em seu corpo e recordou de tudo que a levara a fazer aquilo! Eram partes de alguma coisa dentro dele que ainda a perseguia mesmo depois de tanto tempo que se perderam um do outro. Lembrava-se com terror e medo à expressão cruel estampada em seu rosto. Sua face toda enrijecida não deixava dúvida de que ele já havia feito aquilo outras vezes. Ela notava a segurança e exatidão de seus movimentos que com grande sincronia, uma negra dança, estava sendo executada perante ela. Seria como um ritual para ele! Seria como uma despedida da vida para ela! Tudo poderia ser tão diferente se eu tivesse escolhido o caminho certo naquele dia, pensava ela. Tudo, agora começava a surgir em sua mente, ela mesma acabou por impressionar-se pela lógica com que as imagens de horror apareciam em sua mente! Era como um filme de suspense em que ninguém sabe exatamente para onde está indo ou o porquê disso. James Lovarysky a transformara e ela nunca mais seria a mesma!
Levantou-se e buscando seu robe preto, vestida com peças intima sensuais ela seguia o seu próprio ritual e partia para mais uma noite, mais um cara, mais uma morte! Desde que ele lhe impusera um amor o ódio que sentia aflorou dentro de sua alma e ela odiava aqueles seres medonhos que a tocavam. Escolhia-os em bares, nas calçadas das ruas mais pobres, em grandes empreendimentos e na obra. Ela tinha uma fixação inexplicável por operários de obra! Era uma coisa bem peculiar de Samantha, com eles ela sentia mais prazer que com os outros tantos caras, sabia que isso se devia ao fato de James ter sido operário. E vingar-se daqueles seres, maltrata-los, era como se lavasse sua alma, redimindo o seu James de suas maldades! “Oh! James, James! Em que mundo você me abandonou?”. Pensava isso, às vezes, depois de terminar o ‘servicinho’ do dia.
Como eram fáceis e bobos aqueles imundos seduzidos! Um rebolado, uma insinuação e lá estariam eles, babando pela rara oportunidade de pertencer a ela! E depois... Bem, depois de fazer com ele tudo que desejava, quando desejava, ela os matava e arrancava-lhes os dedos anelar. Por sua curiosa coleção podia-se saber que tinha um longo histórico de conquistas. Suas gavetas eram impressionantes arquivos pessoais. Seus olhos brilhantes, quentes, afagavam com carinho sua estranha coleção. Há muito ela desejara parar de fazê-lo. Um senso bobo a tomara, mas sua veia assassina era bem mais forte dentro dela e não podia mais parar...
Gostava de tocar aquelas peças anatômicas e sentir que eram suas. Tinha grande despesa em manter seus ‘bebes’ e precisava dar um jeito de conseguir o dinheiro necessário. Há alguns dias, esta preocupação a tomava. Nunca permitira que nenhum daqueles homens que foram seus, a tocassem ou a tomassem para si, mas agora era diferente, precisava de dinheiro e o teria. Enquanto houvesse dentro dela este instinto maldito, era teria de ser o suficiente para todos!
Concluía seus pensamentos agora, e ao fechar as portas de seu apartamento recheado de horrores, ela sorriu e disse:
- Amo-o e depois eu o mato! Fácil assim... Que sede de sentir que me aproximo de você!
A sombra que a perseguia zumbiu na escuridão...