terça-feira, 24 de julho de 2012

A MULHER DE BRANCO

   
 Pensava distraída nas adventuras sofridas por sua amiga Rafaela. Como poderia uma mulher ser tão forte e suportar com tanta valentia a perda do maior bem que alguem tem na vida que é o amor??? Ela mesma se estivesse no lugar da outra ficaria desvairada, louca de pedra, totalmente sem sentido. Sabia que o sentido real de sua vida, apesar de não menciona-lo a ninguém, era tê-lo ali do seu lado sempre. E agora que sua amiga sofrera esta perda, veio-lhe de repente uma insinuação sombria de que nada dura para sempre. Isto sim a assustava muito. A ideia de acordar um dia e saber que ele não estava lá era tão estranha como se alguem dissesse pra ela que o sol nunca mais sairia e que viveríamos todos em sombras eternas. Era absurdo demais! Absurdo e triste. Na verdade, desde que ele viajara sua vida esta tão monótona. Não é que ele viva a seus pés, mas sabe-lo distante a deixa risonha. Quando ele esta por perto tudo é mais colorido... Estava absorvida por seus pensamentos românticos quando ouviu a bater de palmas na sua porta e adiantou-se para ver quem era. Sabia que ele ainda não viria e mesmo assim seu coração imaginou ouvir a sua voz ecoando lá fora. Claro! Ela estava enganada e seu coração exalava agora o ar de ansiedade pela volta dele, tanto que se podia ver em suas faces a amargura e desagrado com o qual abriu a porta a este visitante, no minimo, inesperado.
 - Olá! Senhora Flor, estou surpreso de vê-la tão deslumbrante como de costume, parece-me que  o tempo caminha a seu favor.
  - Deixe de seus galanteios tolos e diga-me o que deseja. Sabe que não és o que mais gosto de receber em minha residencia, não?
- Como esta grosseira hoje esta linda dama! Trate-se de acalmar. - Disse em tom ordeiro enquanto adentrava no seu lar.- Estou aqui por razões de paz, minha cara senhora!
- Pois, desenvolva logo sua prosa e trate de partir, nunca será de fato bem- vindo.
- Pois, já não disse que tenha calma, de pouco a pouco a senhora perceberá que mesmo quando errei tive somente as melhores intenções.
- Pois, sim? Não creio em suas lorotas e espero que não me venha com uma de suas armações ridículas.
- Aonde esta o seu excelentíssimo esposo minha dama?
- Ora, então não sabes? Ele está de viagem. Mas, adianto-lhe que voltará em breve e mais ainda ele também não é nada condizente com suas gracinhas.
- E verdade! E sua mãe, esta por ai?
- Não sei que interesse pode você ter por minha mãe! Não sei que tem assunto pendente com ela não!
- Nervosa demais por meu gosto! Acalme-se e responda, onde ela esta?
- Com umas amigas no terraço... - Sentiu um calafrio percorrer-lhe todo o corpo...- Mas, o que quer afinal?
- Quero pedir-lhe um favor pessoal. E já que esta praticamente sozinha neste casarão, tenho certeza de que me atenderá de bom grado.- Soava um tom de ameaça.
- É muito pouco provável que tal coisa se suceda. Já disse que de minha parte há somente dissabor com relação a sua pessoa e todos os seus assuntos pessoais!- Estava furiosa.
- Primeiro vamos entrar porque não acho de bom tom deixar uma visita ilustre como eu aqui na varanda. Mereço um cafe quentinho e bolo, hum, de laranja por favor.
- Você está louco! Saia já de minha casa! Não é bem-vindo por aqui!
- Esta bem, pode ter sido ousadia, mas eu tinha que tentar! Olha, vamos ao que me interessa... Tenho uma prima que veio com o circo e procura uma casa onde empregar-se, poderia recebe-la um dia desses???
- Pois, se é moça honesta e trabalhadeira, mande que passe aqui e verei o que posso fazer. E se era somente isto, vá-se embora que sua presença me constipa.
- Hum, sendo grosseira de novo. Vê-se que quem nasceu pra escravo nunca chegará a majestade!
- Vá embora! Esta me ofendendo! 
- Sabe o que merece senhora?
- De você nada! Quero que suma e me deixe em paz. Você casou a morte de minha querida amiga, e nunca gostei de sua presença em nossas vidas.
- Por que não?
- Sinto que tem inveja de meu marido e que esta planejando algo horrível para machuca-lo.
- Mas, que boa intuição a sua Flor! - O sorriso irônico e malvado dele ressoo alto por todos os lados.- Vou-me agora e saiba que talvez nunca mais verão um sorriso no rosto do seu maridinho burguês.
 - O que pretende seu crápula? Você não me assusta! Não vai conseguir alcança-lo nunca seu fracassado!
- Se eu fosse você escreveria uma ultima carta para ele! Diga que o ama pela ultima vez, ao menos não dirão que eu fui cruel com vocês!- Disse isso e dando as costas se foi sem olhar para trás.

  Por alguma razão desconhecida, ela resolveu sem querer escrever uma ultima carta. Falou-lhe de toda saudade que sentia, da vontade de estar do seu lado e do quanto ela o amava e que seriam felizes se não aqui num vindouro paraíso! Sentia medo de perdê-lo! Ou de perde-se dele... Ela enviou-lhe a carta e uma grossa lágrima quente escorreu-lhe pela face.

   Alguns dias depois ela voltava para casa, estava linda com os longos cabelos pretos soltos ao longo do corpo, um vestido branco de cetim com bordados a mão, sua faces reluzentes ao sol a deixavam estonteante. Ela tinha ido ao médico. Estava num êxtase de felicidade porque acabara de saber que estava gravida. Nossa! Nem podia lembrar o quanto desejaram aquele milagre de serem  pais! Ele então, não se conteria e choraria de alegria, pensava ela... Sorria distraída quando do nada algo a acertou em cheio, manchando de vermelho a sua vestes e deixando-a caída ao chão...Alguem a ferira junto ao peito e seu estado era muto grave! Uma bala perdida? Não! ELE, aquele homem traiçoeiro tentara mata-la...
      Somente mais tarde veio-lhe a terrível noticia...
    E de certo modo ele conseguiu atingir seu objetivo! Estava tão abatida por seu bebe. Queria tanto aquele corpinho pequeno junto dela, junto do seu seio materno! Ele a matara! É verdade que acabara de descobri-lo  e perde-lo a deixara também perdida. Era um vazio de dor e ela finalmente entendeu sua amiga. Ela foi forte pra sobreviver ao vazio que fica quando uma parte importante de nós nos é arrancada... O silencio a acolhera e agora nos braços do seu amor, estava mais tranquila, havia um vazio, seu ventre estava tão vazio!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Nostalgia...




  Segundo o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, esta é a definição de NOSTALGIA...
Nostalgia
(francês nostalgie)

s. f.
1. Tristeza profunda causada por saudades do afastamento da pátria ou da terra natal.
2. Estado melancólico causado pela falta de algo.
   No meu caso é a segunda explicação que mais aproxima-se de ser real... Minha nostalgia é ocasionada pela falta que sinto de algo. Mas, o que é este algo que me faz tanta falta? Na verdade, não sei ao certo, mas suponho ter uma desconfiança nesse sentido. Eu desconfio que sinto falta da sua presença... E que por isso me encontro neste estado obscuro de completa melancolia.
    O que eu queria, afinal? " Eu queria poder abraçar você... Poder te dizer coisas que tem tirado minha paz, as coisas que tem tomado meu espirito e abatido minha alma, falar de sorrisos e beijos, contar coisas minhas que só você pode entender... Dividir com você meus/ nossos momentos marcantes, lembra-lo do que só nós dois vivemos e recordar coisas que são só nossas... Coisas que para nós tem todo sentido mesmo que ao mundo não faça sentido algum... Não, nada seria mentira, não haveria falsidade em nossos momentos, tudo seria sinceridade, clareza, fidelidade e lealdade... Queria você aqui pra ouvir-me dizer coisas estranhas e sorrir, para me alimentar o coração com carinho e cuidado, para segurar minha mão e caminhar comigo por aí... Queria você só para estar mesmo por perto, para eu saber que você esta bem, que esta comigo e também, eu te queria... Queria que estivesse tão por perto que viesse sem precisar eu te chamar... "
  Enfim, era só isso que eu queria e é disso que sinto muita falta! Era só um pouco de você aqui para eu abraçar agora...

domingo, 8 de julho de 2012

NAS VELHAS PAGINAS DO AMOR....


  Hoje acordei com a estranha sensação de que minhas paginas amareladas precisavam ser passadas a limpo imediatamente, sabe quando temos a sensação de que amanha pode ser muito tarde? Pois, era exatamente isso que estava sentindo ao despertar essa manhã. Ontem, fui dormir muito tarde. Se esta curioso de saber o que eu fazia, então eu vou saciar sua curiosidade com uma resposta meio direta demais: Eu, estava acertando contas com meu passado! É, na verdade, havia muitas coisas a serem ditas e foram finalmente. Ele confessou-se arrependido de partir e simplesmente voltou! Então, depois disso tudo, eu pensei, mas que droga é essa que estou fazendo com a minha vida? E quantas vezes mais vou deixar você fazer isso comigo? Você é assim, dicritível com uma palavra: Inconstante ou vulnerável! serviriam perfeitamente, uma ou outra, claro, pra descrever você! Mas, é que o pior não é isso de você ficar dando adeus, ai resolve voltar, ai dá adeus de novo, no inicio tudo bem , mas agora já esta ficando chato, sabe é que em algum momento, eu ia mesmo cansar da mesmice e acho que esse momento é agora! Eu penso que se você quer ficar, então você deveria ficar e pronto, mas se quer ir, então vai logo uai! Mas, isso de vai e volta não está nada bem... Você diz adeus e vai... Eu choro e sofro e todo aquele ritual de abandonada eu faço... Depois quando estou pisando em outro terreno, aí, do nada, quem eu vejo? Quem vem me bater na porta pedindo abrigo, outra vez? É! É você. O pior mesmo, mesmo é que eu ainda te amo, então tu me pedes pra voltar  e eu deixo. Mas, agora já não conto mais com tua presença por muito tempo, já não sei mais até quando estarás aqui, então eu estou contigo agora,mas estou emocionalmente me preparando para sua nova partida! Mas, sabe o que mais me assusta nisso tudo? É que com essas suas inconstâncias, eu nunca vou saber quando você vai pra sempre e tenho medo de não poder me despedir... Ah! Que importa isso agora? Abraça-me e pronto! Dessa vez eu deixo passar...