quarta-feira, 29 de agosto de 2012

UMA LIÇÃO DE VIDA!

Eu sempre caminhava por aquela rua, era na verdade, passagem para o lugar onde eu pegava o metrô. E sempre olhava distraída para aquela praça, sentia como se minha alma procurasse algo que ainda não tinha chegado... Naquele dia, no entanto foi diferente meu olhar... Quando comumente distraída olhei a praça, vi num banco deitado um pobre menino que me pareceu sentir muito frio, apesar de estar agasalhado. Eu o olhei com carinho e pensei nele o dia todo não sei porque. No outro dia eu procurava-o com meu olhar curioso, urgente, mas o menino sumira e durante toda semana eu não o avistei um só dia. Eu, meio que já o esquecia quando voltando do trabalho, já tarde do dia dou com a vista nele; Está sentado no mesmo banco, tem uma mochila do seu lado direito que tem um aspecto surrado e um prato vazio do outro lado. Um impeto me leva até sua presença e inconscientemente divido com ele o banco. Ele me olha de soslaio e sorri meio encabulado. Penso que decerto nem entende minha presença, nem a acha necessária. Instintivamente protejo com minhas mãos a bolsa que trazia comigo e ergo-me em sua direção perguntando diretamente:
- Ei garoto, onde estão os seus pais? Você não tem família? O que esta fazendo aqui sozinho? ( Ele me olha com pesar e dor terrível).
- Eles morreram na semana passada senhora. Minha avó cuidava de mim, vinha nesta praça com minha mãe e deitava no seu colo enquanto ela lia pra mim... Eu a perdi... Minha avó faleceu ontem. Estava vindo da mercearia do seu Genario e um carro a atropelou. Disseram que ela não sofreu... Não queria que minha avó sofresse mesmo! O dono da casa disse pra eu me mandar, que não era orfanato nem nada, que eu viesse pra praça, sobreviveria, ele mesmo sobreviveu..! Ele me disse isso gritando, e me jogou na rua, como um lixo velho... Minha avó dizia que não se deve jogar lixo na rua.
- Sua avó é inteligente! E quantos anos você tem?
- Tenho cinco senhora. E sabe, a senhora não é uma criança e por que pergunta tanto? Minha mãe disse sempre que ' bicho curioso é criança'. ( Ele sorriu ao lembrar dela e disse brincalhão)- Que pena que ela não pode conhecer a senhora. ( Eu sorri simpática).
- Pois é verdade. Meu nome é Sandra, e o seu?
- Meu nome é Santiago. Meu pai era Santiago também dona Sandra!
- E, não sobrou ninguém de sua família, uma tia, ou algo assim?
- Não. Todos foram embora sem mim...
- E o que pensa em fazer? ( Perguntei ingenuamente, como se um menino daquela idade pudesse entender o mundo).
- Eu ainda não sei. Ontem me deram pão. Hoje não tem pão, nem manteiga, nem café com leite. Não tem feijão nem tem nada. Mas, eu tenho um prato! ( Mostrou-me o prato com orgulho e um sorriso alegre nos olhos.)
-Um prato vazio Santiago? ( Fiquei triste!)
- Não senhora! Minha mãe disse que esse é o prato mágico, ele nunca estará vazio. Não pode ver? ( Insistia de que eu devia olhar melhor para o prato) - Ele está cheio, bem cheio!
- Cheio? Pensei que estava louco, quando me disse feliz..
-Este prato não está vazio... Ele está cheio de esperança!
   Abracei-o docemente. Não podia deixa-lo para trás, não depois de tudo aquilo. Tinha encontrado um 'pequeno amor' e conhecia agora o famoso sentimento materno de que minha mãe me falara toda vida. Encontrei um irmão de alma e saímos papeando em direção a padaria Florence!