quarta-feira, 29 de maio de 2013

MADRUGADA VAZIA

       Helena, como tantos outros em meio ao mundo sentia-se vazia naquela madrugada de terça. Queria estar nos braços de sua amada mãe e sentir-se protegida. Queria poder sentir que aquela brisa fria não a iria consumir. Que aqueles ventos mórbidos não iriam afundar sua alma na tristeza. Mas não podia. Não se sentia com força suficiente para sequer acalentar seu gato de estimação que estava aos seus pés naquele instante. Ouvir uma música seria interessante, mas Helena não tinha animo nenhum para alcançar sua velha vitrola que desde outrora lhe havia aliviado tantas magoas. Agora nem com isso ela poderia contar... Queria sentir-se firme, como nos dias de sua juventude, não sentir medo do amanhã, nem de estar só. Não poderia ter adivinhado como estaria sozinha a essa altura de sua vida. Outrora fora tão paquerada, tão desejada, tão adorada! E agora estava ali, sujeita ao acaso e a atenção dos estranhos, que vinham visitar lhe de vez em quando e que lhe contavam histórias incríveis sobre algo que ela nem conhecia, um tal de computador, internet, sei lá. Ela também não entedia como podiam namorar alguém que está em outra parte do mundo pela internet. Se ela ali se sentia tão estranhamente desolada, sem amor, como alguém apaixonado poderia se conformar com a ausência do outro ser? Quando se questionava sobre isso ela às vezes ouvia sussurros que diziam: “Ela é velha! Nem deve saber o que é amor. Está aqui abandonada, dependendo das graças de estranhos como nós.” Ficava extremamente abatida por aquela constatação tão maldosa e tão real. Real em parte! Helena amou e foi muito amada. Infelizmente o seu esposo Felipe partiu primeiro e deixou-a tão solitária. Filhos? Helena não havia sido contemplada com a benção de tê-los. Isso para ela também era motivo de lágrimas! Quando seu amado “Romeu” estava com ela não. Ele nunca a questionou sobre não terem filhos, mesmo quando sabia que isto era o mais normal e o maior desejo de um casal tão feliz. Perpetuar sua felicidade! Quem dera! Suspirou Helena tentando esconder dos olhos de outros sua dor e sua solidão.
      Tristeza era algo que doravante não constava em seu dicionário. Angustia por estar só nunca foi um problema para essa amada senhora que agora só desejava descansar. Estava sentindo um grande pesar sobre suas pálpebras. Uma força impressionante a deixava sensível, exposta a penetração dolorosa da brisa fresca que tocava seu corpo agora, como se a absorver-se por completo. Como se o amanhã se tornasse para ela cada vez mais distante, inalcançável. Como se tudo o mais tivesse sumido e agora ela só enxergasse a luz de um paraíso! Como se seu amado a estivesse esperando com a mão estirada a chamar-lhe docemente como dantes. Helena... Estava indo. Entregava-se com loucura, intensamente como tudo que fizera na sua vida. Estava sendo completa de novo! Não se sentia mais só! Queria dizer adeus àqueles que lhe foram tão bondosos, como a aqueles que lhe fizeram feliz e que agora teria que deixar. Sabia que não havia mais tempo para escolhas. Era um caminho sem volta e seu Romeu a esperava ansioso. Não poderia deixá-lo sozinho. Queria estar com ele. E ele a recebeu tão bem! Ambos seguiram de mãos dadas com destino a eternidade... Helena não sabia que tudo havia sido um sonho! Ela nem podia supor que dormira as caricias de seu gatinho Jack, que agora por sentir fome miava desesperadamente e acabou por acordá-la. Tudo havia sido sonho. Helena levantou-se assustada e correu ao espelho... Ao ver sua linda face de adolescente, sorriu alegremente e gritou de forma descontrolada: “Estou viva! Sou jovem! Quero amar! Não quero ficar sozinha nunca! Obrigada Deus!”. Acabou por acordar todos da casa. Sua mãe disse-lhe aos berros: “Menina! desliga essa luz e vai dormir!”. Helena sorriu mais uma vez. Agora, aliviada e tranquila, ali estava sua amada mãe! Gritando com ela como sempre. Ainda bem! Foi para a sua cama e desligou a luz. Virou-se na cama e dormiu tranquilamente. Tudo havia sido um sonho... A madrugada vazia expirou naquele instante em que o sol desabrochava no horizonte e a esperança do amanhã ressurgia no coração de Helena.
 
                                                             (14/03/2011)

terça-feira, 21 de maio de 2013

QUANDO ACONTECE...

Quando o amor acontece a gente se perde, entrega-se, deixa-se levar pela emoção e pelos sentimentos. Muitas vezes, diante de adversidades o amor, sentimento de imperfeitos, simplesmente falha... Fica fraco, triste, cambaleia mórbido por ruas escuras sozinho na madrugada. Mas, não morre! É incapaz de deixar pra sempre uma história feliz, de não voltar, de não lutar! 
Quando o amor acontece ele é reciproco, bom de ser vivido, é criativo, atrevido, ousado, abençoado!
Quando o amor acontece a gente fica todo bobo mesmo, rindo a toa, falando com a lua, vê romance nas estrelas e o ar que respiramos e mais leve, tão suave quando o amor acontece!
Quando a amor acontece aquela musica solitária torna-se um ritmo caribenho, faz rir, dançar, planejar, voar!
Quando a amor acontece a gente muda sem notar, torna-se mais esperançoso, cresce, amadurece,  inclina-se para o vento pra sentir o doce toque de amar!
Quando o amor acontece, tudo mais dentro de nos floresce, tudo desabrocha, enfeita, tem sabor especial.
Quando o amor acontece, ele SOMENTE acontece!