segunda-feira, 28 de abril de 2014

- FUGA

      Somos todos tão feitos de pedaços, emendas, retalhos...Somos tão algo que se construiu que fugir é necessário, é imprescindível. Do que fugir? Existem perguntas que são mistérios também. Imagino que seja esta uma delas... Um mistério, mas um mistério particular, isso porque todos, mais cedo ou mais tarde  fogem de algo, de alguém, de um sentimento, de uma paixão, de um trabalho incomodo, fogem de si mesmos. E fugir é bom, não sempre, mas as vezes, é simplesmente bom!

     Todos vivem nos dizendo que temos de enfrentar tudo, de sermos sempre fortes, de suportamos com maestria, mas esquecem que até eles mesmos querem poder se dar ao direito de serem frágeis, delicados, sensíveis... E de poder, quando necessário, fugir. E de todas as fugas que podem existir, ler é sem sombra de duvida a melhor delas... Porque quando você foge da realidade sua mente se expande para imaginar cada traço da paisagem, personagem ou mundo que se descreve e se cria ao mesmo tempo dentro de você. E quando você volta desse momento 'offline', você jamais volta vazio... Você vem preenchido, transbordante, completo e preparado para seguir...

        Tenho comigo a impressão de que depois de ler um bom livro e tomar um bom café.. Bem, você jamais será o mesmo!

quarta-feira, 23 de abril de 2014

REFLEXÃO SOBRE O ADEUS!

video
                                       Esse é um conto em áudio... Uma inovação...
                         Espero que goste... E me deixe um comentário... O que achou dele?

terça-feira, 22 de abril de 2014

NÓS INVENTAMOS AS BODAS


      Estamos apaixonados, e quem acha que estar apaixonado é uma grande bobeira, eu afirmo que sentir borboletas no estômago e sorrir por nada é uma ótima sensação. E aquele que não sentiu isso na vida que atire a primeira barra de chocolate. Bem, o fato é que juntos há um ano e um mês, num namoro virtual, faltou-nos bodas, tínhamos mania de comemorar sempre, a cada mês, mas depois de um ano só há bodas num outro ano. Não dava para esperar, eram doze meses sem bodas, isso significa doze meses sem comemorar bodas de alguma coisa, mas como o amor é invenção, criatividade e surpresa... Bum! Numa conversa a dois chegamos à conclusão que todos os meses merecem bodas e ponto final. Mas, não existem bodas disponíveis? E agora? Agora, claro, nós vamos inventar nossas próprias bodas... Depois de pensar e queimar as pestanas, ficamos do seguinte modo combinados e listamos as bodas até o próximo ano, conforme está abaixo...


13 meses- Bodas de saudade; 
14 meses- Bodas de café; 
15 meses- Bodas de Maçã -do – amor; 
16 meses- Bodas de Algodão-doce; 
17 meses- Bodas de Orvalho; 
18 meses- Bodas de Sapinho; 
19 meses- Bodas de Morango; 
20 meses- Bodas de Umbu; 
21 meses- Bodas de Coração; 
22 meses- Bodas de Beijos; 
23 meses- Bodas de Sonho!

  Minha sugestão é podem usar e abusar da imaginação desde que sejam sinceros consigo mesmos e estejam ambos felizes!  
 

sexta-feira, 18 de abril de 2014

VOCE PARTIU... E ME LEVOU COM VOCÊ!


       Caminhava naquele cômodo escuro com total domínio, parecia poder mesmo enxergar com as mãos habilidosas todos os recantos sem sequer necessitar de acender a luz do abajur... Sentia ao levar a mão ao cabideiro aquele velho casaco azul marinho dependurado, meio borrado pelo tempo e com os fiapos do tecido a denunciar de que época ele seria... E aquele cheiro que já era mais de mofo do que dele, mas que o trazia para ela... Não fazia sentido se não estivesse ali, naquele mesmo lugar onde o pôs na sua ultima visita. Depois a estante, a foto dele com o cachorro que adorava e a foto de formatura com sua beca torta, sua coleção de botões, seus livros de aventura... Tudo estava exatamente onde ele deixara na sua ultima visita quando ainda planejara voltar... Mas, já não poderia voltar, mesmo se no intimo desejasse isso, também não poderia... Agora tudo já mudou, até ela mudou e ele também já mudou. 

       Naqueles dias de outrora fizeram promessas, riram e choraram juntos... Pareciam eternos, até eu em um dado momento podia jurar que seriam mesmo, mas até eu me enganei. Ela sempre soube quando o olhou pela primeira vez que ele sempre viveria dentro dela, ele sempre soube bem antes de vê-la que seria ela a dona do seu coração por toda vida. E agora, que nada mais os podia unir, havia um silencio triste e uma interrogação sinistra... Ambos queriam muito perguntar o porquê, mas calaram-se por certo temor de não haver nenhuma resposta. Ela pediu que ele não fosse, que poderiam se arranjar e tudo poderia ficar bem, mas ele precisava ir... Somente disse isso ‘ preciso mesmo ir’ e deixando-a com lágrimas a inundar-lhe a face morena, ele se foi... E ela ficou, mas não sentia-se inteira...

     Desde aquele dia, que fora uma sexta-feira de feriado religioso que ela tinha um questionamento virando sua cuca... Ela tinha dúvidas se não lhe doparam e lhe tiraram um pedaço do coração do seu peito... Ela, depois desse instante, nunca mais pode sentir-se completa, nunca mais pode preencher um estranho vazio que tinha bem ali onde outrora fora um coração transbordante e hoje era apenas um rombo indescritível... 

         No intimo ela soube que no dia que ele se fora... Ele tinha levado consigo esse pedaço dela... E eles (ele e o seu pedaço) faziam muita falta para ela!

segunda-feira, 14 de abril de 2014

PALAVRAS QUE NUNCA SERÃO DITAS

 
              E foi assim que tudo acabou... No inicio me sentia sufocada dentro de mim e sentia que algo estava errado, ou era comigo ou com o resto do mundo. Preferi acreditar que era comigo porque assim seria mais fácil resolver. Sempre optei pelo mais fácil. Isso era sem duvida o mais fácil, mais pratico e menos ridículo do que mil vezes o seu RIDÍCULO nos meus medos infantis. Você que nem sabia se podia ou não sentir minha falta saberá talvez que talvez eu te faça alguma falta. Hoje eu tinha muitos planos e coisas para fazer. Cancelei tudo porque já não dava para fazer mais nada com tanta coisa angustiante amargando meu peito e sua figura sorrindo em outros braços a me atormentar como um fantasma terrível. Já sei, só agora é que sei com certeza que você não poderia mesmo entender nada. Por isso não te liguei e não pedi socorro quando essa maré quente começou a invadir meus pulmões.
            E quando eu já sentia tudo perdido, uma parte anormal de mim chamava por você. Mas, já não havia mais você ou eu ou nós nessa história e o fim já não existia, pois já não havia nada para se acabar... Tudo já tinha há séculos terminado e mesmo assim o ultimo pensamento da minha cabeça buscava entender suas atitudes, no intimo eu tentava justificar e acreditar que em algum momento foi real. Não gostava da ideia de saber que meu ultimo momento seria assim...
          Tão só e tão cheia de uma coisa viscosa presa na garganta, talvez exsudato, talvez palavras que não foram ditas e que nunca mais serão... Elas depositam-se no fundo da garganta e auxiliam no ato de sufocar e me afogo perdida e lamentavelmente sem você nas ilusões que eu mesma criei e que me destruíram não muito dignamente, por fim se houvesse algo para dizer seria um sonoro, triste e melancólico “Que você sempre seja feliz”.

O ÚLTIMO ADEUS!


       Meu Amado Menino...

                   Hoje eu sinto sua falta. Era pra ser nosso dia especial. Três meses que estávamos juntos, e eu era sua noiva. Sabe, ontem de noite quando você pediu pra renovar nossos votos, lembro-me do que me escreveu... Parecia tão sincero. E eu que já nem sabia bem se podia acreditar no que ouvia, eu acreditei, meio que inconscientemente eu acreditei em tudo. Eu não queria, juro que não, sentir expectativa por amar você, sabe, esperar algo, um gesto que me dedicasse por toda eternidade seu sentimento. Seu sentimento! Engraçado mencionar isso, pois, toda vez que tento saber do seu sentimento, você desconversa com um nosso gigante e deixa implícito o fato de que pra haver um nós é inevitável que haja antes um eu e você. Eu desconheço o seu sentimento, mas o meu está tão claro. Você sente-se tão seguro que despreza, que debocha, que esnoba. A liberdade que exige é a mesma dor que tem me matado por dias, era pra ser uma carta de amor, mas nem sei se poderá ser... Na verdade, no meu intimo, só o que desejo te escrever é o quanto eu te amo e mesmo relutante dessa carta ser de amor, pergunto-me de que mais seria? Sobre o que mais eu te falaria senão do tamanho do vazio que fica no meu peito quando você não esta?
           Lembra-se dos nossos planos felizes de ser finalmente o casal mais adorável do ano? Daqueles momentos de eterna felicidade, da brevidade dos beijos que pareciam infinitos? Pode mesmo recordar cada toque e cada riso e cada olhar penetrante? Você mergulhando em mim e eu absorvendo-me em ti. Era uma perfeita conjugação feliz como tanto desejávamos ser desde o primeiro instante... E era assim que planejamos tudo. Um colorido amor, cheio de poemas e risadas... Só assim poderíamos ser realmente felizes!
       Amor! Nós inocentemente não contamos com o efeito do vento sobre as rosas do jardim, das temporadas de tornados e ciclones nas suas folhas viçosas... Não contamos com as tormentas sobre o barquinho tão simples e frágil que tínhamos.
         E hoje tão longe ainda lembro seu gesto e suas palavras de adeus... Elas foram tão doces... Você me dizia como se rezasse uma prece essas palavras que vão morar em mim para sempre... Posso ouvi-las agora se cerrar as pálpebras e até mesmo sentir o tocar de seus lábios um no outro enquanto as pronunciava...

  “Que os trilhos nunca te faltem... Que a esperança seja farta e a espera seja breve... Que o seu amor seja forte e seu tempo invariavelmente inconstante.”( O mensageiro)


segunda-feira, 7 de abril de 2014

A JANELA...

   Semana passada eu estava morto... E na minha mente apenas a ideia do que ainda viria. Essa semana que vem será terrível... Isso era uma ideia insistente na minha mente... Não pensar! Não pensar! Eu ficava tentando me fazer não pensar... Aplico PNL, autossugestão, que droga! Nada parece funcionar. E me conformo de saber que semana que vem será torta, incerta, incomoda, mas que logo vai passar tudo e serei somente eu e você.

   E eu e você iremos a sorveteria, depois a praça, depois ao outro mundo que é somente nosso, de ninguém mais. E a ideia de que possa dar errado me assombra, mas me acerca a certeza que tudo sairá bem, em toda incerteza, logo essa certeza e não tem a ver com você. E você ainda não ter chegado me espanta, você é sempre tão pontual. Será que esqueceu? Não poderia esquecer nosso sorvete, e os sonhos e toda vida juntos... Não, acho que não poderia esquecer. Em outros tempos até me preocuparia com seu atraso, hoje não. Tem uma trave na mente, só penso na semana que vem e na vida. Engraçado, em você não, mas penso muito na vida. Nos erros, que não gostaria mesmo de cometer, nos que já cometi, nos que ainda poderei cometer e tudo fica rodando, dando voltas loucas, atravessando dimensões na minha cabeça. 

   Ouço uma musica suave, acalma-me de um modo esquisito, como quando você sussurrava ‘eu te amo’ no meu ouvido enquanto eu fingia que dormia... Nunca tinha falado, talvez nunca tivesse mesmo tido a oportunidade de dizer isso a você, você andava tão longe, tão perdida dentro de si mesma, que me esqueci de contar que suas ‘gracinhas’ me acalmavam como a música acalma os bebes. Talvez eu nem quisesse mesmo contar, gosto de me sentir misterioso, guardião de segredos. E quando alguém me olha sabe que escondo algo e isso me agrada. Era como a minha mania secreta de observar. Eu contava dentro de mim os casos e procurava sentidos, razões e explicações, muitas vezes, como se competisse a um juiz particular que mora em mim julgar tudo, salvar e condenar... Isso também estava nos meus pensamentos agora, mas você não. E olhando distraído pela janela, na catedral aquele enorme relógio marca 15h, está tarde e você não apareceu. Acho agora que já não vem e não se importa... No intimo também sei que não me importo porque minha mente está na semana que vem e não nessa, nada no agora me interessa muito.

   Ponho os livros na mochila, olho de novo pela janela e lá está o sol caindo do céu como numa partida de futebol que se finda e o meu tempo se esgota rapidamente... E pondo a mochila nas costas, fecho à janela, as cortinas, pego as chaves e sigo em direção à porta... Giro duas vezes a chave na fechadura, estupidamente penso que deveria haver alguém pra se encaixar em mim... Desço as escadas passo a passo como um condenado no corredor da morte, e ao sair o sol está bem diante de mim se despedindo, tenho a impressão que ele sorri, mas não poderia afirmar nada. Ponho as mãos no bolso e sigo rua abaixo. E semana que vem... Que venha, não estou nem aí...