segunda-feira, 14 de abril de 2014

O ÚLTIMO ADEUS!


       Meu Amado Menino...

                   Hoje eu sinto sua falta. Era pra ser nosso dia especial. Três meses que estávamos juntos, e eu era sua noiva. Sabe, ontem de noite quando você pediu pra renovar nossos votos, lembro-me do que me escreveu... Parecia tão sincero. E eu que já nem sabia bem se podia acreditar no que ouvia, eu acreditei, meio que inconscientemente eu acreditei em tudo. Eu não queria, juro que não, sentir expectativa por amar você, sabe, esperar algo, um gesto que me dedicasse por toda eternidade seu sentimento. Seu sentimento! Engraçado mencionar isso, pois, toda vez que tento saber do seu sentimento, você desconversa com um nosso gigante e deixa implícito o fato de que pra haver um nós é inevitável que haja antes um eu e você. Eu desconheço o seu sentimento, mas o meu está tão claro. Você sente-se tão seguro que despreza, que debocha, que esnoba. A liberdade que exige é a mesma dor que tem me matado por dias, era pra ser uma carta de amor, mas nem sei se poderá ser... Na verdade, no meu intimo, só o que desejo te escrever é o quanto eu te amo e mesmo relutante dessa carta ser de amor, pergunto-me de que mais seria? Sobre o que mais eu te falaria senão do tamanho do vazio que fica no meu peito quando você não esta?
           Lembra-se dos nossos planos felizes de ser finalmente o casal mais adorável do ano? Daqueles momentos de eterna felicidade, da brevidade dos beijos que pareciam infinitos? Pode mesmo recordar cada toque e cada riso e cada olhar penetrante? Você mergulhando em mim e eu absorvendo-me em ti. Era uma perfeita conjugação feliz como tanto desejávamos ser desde o primeiro instante... E era assim que planejamos tudo. Um colorido amor, cheio de poemas e risadas... Só assim poderíamos ser realmente felizes!
       Amor! Nós inocentemente não contamos com o efeito do vento sobre as rosas do jardim, das temporadas de tornados e ciclones nas suas folhas viçosas... Não contamos com as tormentas sobre o barquinho tão simples e frágil que tínhamos.
         E hoje tão longe ainda lembro seu gesto e suas palavras de adeus... Elas foram tão doces... Você me dizia como se rezasse uma prece essas palavras que vão morar em mim para sempre... Posso ouvi-las agora se cerrar as pálpebras e até mesmo sentir o tocar de seus lábios um no outro enquanto as pronunciava...

  “Que os trilhos nunca te faltem... Que a esperança seja farta e a espera seja breve... Que o seu amor seja forte e seu tempo invariavelmente inconstante.”( O mensageiro)