sexta-feira, 15 de agosto de 2014

-ENCONTRO MARCADO



Aquela era sem duvida minha livraria favorita no centro de Campina. Seu ar de aconchego e graça me prendia e me fazia sentir leve. E em especial, naquele dia, você que vestia uma camisa social preta de manga três quartos, jeans informal e sapatos pretos com bicos quadrados estava completamente impecável e abismado com o espaço e as opções. Eu quando cruzei a porta e te vi fiquei quieta, parada, apenas contemplando sua paixão por aquele exemplar do Dan Brown, pelo brilho nos teus olhos, pela delicadeza e suavidade com que segurava o exemplar, arriscaria dizer que era um de seus autores favoritos, e mais tarde apenas confirmei minhas suspeitas. E depois sem querer nós topamos e você imediatamente pediu desculpas, afirmando estar tão distraído e eu, claro sorri simpática desculpando você por ser tão irresistível. Mas, foi você que disse sem que eu esperasse que voltaria ali na quinta e adoraria tomar um café na minha esplendida companhia. Perguntei como sabia que minha companhia era esplendida e você sorriu como um menino tímido e disse que sabia pelo livro que eu escolhera. Firmemente disse “Alguém que lê Dostoievski não pode ser nada menos que agradável”. Na quinta então estarei aqui... Mas, não pude ir na quinta, saia de casa quando fora chamada as pressas, minha tia havia tido um agravo de saúde e eu era a mais próxima. Ainda fora lá outras vezes, mas você não voltou. 

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 Naquele dia de sol ameno resolvi dar uma volta na praia. Gostava de caminhar na areia no fim da tarde e pensar ou apenas olhar para a imensidade do mar. E assim seguia a passos curtos e sem pressa... Quando percebi que você me olhava de longe como se me conhecesse e parecia surpreso de um modo feliz, sinceramente senti um calorzinho no coração, mas nada alarmador, afinal nem sabia quem era você. Mas, foi quando você se aproximou sorrindo e com olhos que pareciam estrelas cadentes de intensos e cativantes e me abraçou que eu me apaixonei por um estranho. Sua frase parecia tão baixa que era mais sussurro do que qualquer outra coisa ‘ Encontrei você’, foi o que entendi. Não lembrei mesmo de você, mas fiquei sem graça de dizer. Perguntei como estava... E ai você respirou fundo e disse ‘feliz!’. E nem como aconteceu no minuto seguinte conversávamos como velhos conhecidos e a noite chegou tão rápido. A lua no céu estava deslumbrante e nos servia de testemunha fiel, a gente precisava mesmo encontrar-se naquele dia e viver aquele beijo quente e que era de começo, mas parecia de saudade.
E ai você propôs ficar na minha vida por uns tempos ‘tipo pra sempre, sabe!’, e eu topei. E no nosso primeiro jantar eu fiquei de levar o vinho branco suave que escolhemos juntos. E você fez fondir e estava na sala a minha espera quando eu cheguei debaixo de um temporal e estava encharcada, arrumava meus cabelos molhados quando toquei sua campainha e você veio abrir ansioso e lindo como sempre, gentil você se preocupou de me secar e aquecer. E seus braços são o melhor lugar do mundo, e ali permanecemos. Um bom vinho, uma boa conversa e muito carinho. Respirava-se naquele ambiente a certeza de uma busca de sucesso e um plano de futuro... A gente falava de coisas tão simples e pareciam grandes, eram partes do meu e do seu mundo... E naquele dia a gente escolheu compartilhar um só mundo com elementos dos dois outros mundos que já faziam parte de nós.
E hoje, quando acordei cedo e senti seu braço forte me puxando para junto de ti e apoiando sua cabeça no meu peito vi que você ressonava tranquilamente  e soube que como para mim, para você, meu Amor, eu também sou toda a paz que procurava.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

GREEN DAY

Ele sabia que eu ia escrever sobre isso. Pra chamar atenção, talvez ele pense, ou para mostrar que lembra os detalhes e como consequência, chamar atenção. Mas, ele estará enganado. Eu escrevo sobre isso para lembrar uma parte boa da minha vida, de uns pequenos sonhos secretos realizados, de uns pequenos detalhes que viraram ok na minha lista de desejos íntimos. Para me fazer saber sempre que eu tiver duvidas que eu estou no caminho certo e mesmo errando certas vezes, que dessa vez fiz algo que quis e senti com alguém que quis também e talvez sentisse tanto quanto eu mesma. Podia ter mil dúvidas sobre você e o seu gosto, podia plantar em mim uma arvore de incertezas e certezas infundadas, todas as coisas baseadas no que você me falou ‘ Não sei se estou apaixonado por você’. Isso implica que você não sabe. Ou que você não sabia. E apesar de ter ensaiado na mente algumas maneiras de te perguntar isso, eu simplesmente não consegui pronunciar nenhuma palavra. Apenas meus pensamentos viajavam no silêncio profundo dos seus olhos negros, indefinidos, e secretos. E eu fiquei onde estava, sempre te perdendo e te achando em cada artéria e veia que irriga meu coração. O som do green day tocava a gente como uma leve brisa de verão! Não sei qual musica era, mas era em sua companhia e eu fui então feliz.
Gostaria de dormir de conchinha, ser beijada na nuca, receber e oferecer cafuné, que tocassem minha mão e entrelaçassem os dedos, que eu soubesse que era real e sentisse que a qualquer instante eu poderia acordar e ainda estaria ali, olhando-me com o mesmo afeto das primeiras horas. Alguém que me abraçasse de manhã após uma noite fria e desse um bom dia suave com alegria por me ter bem ali do seu lado. Alguém que recebesse meu bom dia com ternura e soubesse de olhar nos meus olhos que não desejaria estar em nenhum lugar, exceto ali nos seus braços, no teu peito, sentindo tua pele quente e teus lábios a me tomarem. Seria ruim viver essas coisas se não houvesse um elo, um sentimento qualquer de ligação entre nós. ‘Eu não mando nos meus sentimentos’, ninguém manda, infelizmente. Nem você, que antes pensava que não sabia, mas sabia. Nem eu que já sabia e só confirmei. Um café um de frente ao outro discutindo o avanço tecnológico que afasta os próximos e aproxima os distantes. Um eco sonoro que perturbava minha mente, perguntas que ressoavam e afirmações que eram abortadas assim que surgiam. Nada de errado, ou impronunciável poderia ser dito, apenas sobriedade e consciência de que tudo precisava estar exatamente como antes. Nenhuma confissão ou confusão permitida. E um intenso treinamento mental para não ser deselegante ou desagradável com emoções tolas onde já não cabiam. Um mortífero isolamento interno, uma alma presa para não pecar por sentir e escolher seguir com riscos. 

Também já sei que meu telefone não vai mais tocar e ser você, e que não encontrarei nada além de um vazio que ficou no que não foi dito ou não foi feito. Sou madura para não buscar, mas não sei se serei para não lembrar. Para mim seria especial, mas, ninguém vive nada sozinho e isso me deixa ainda mais fechada no vazio de um quarto cuja janela dá para fora e cujo dono está tão distante estando tão perto. A noite via as nuvens cinza e soube que em todas as noites frias, depois desta e para sempre, eu vou lembrar-me de você, de tudo que vivi e também vou sentir saudade...