sexta-feira, 7 de novembro de 2014

ESTRANHO


 

Ansiosa por ouvir tua voz quente a me aquecer e trazer-me definitivamente de volta a vida. Percebo desconcertada que este vazio e essa agonia, que de leve como sopros de uma brisa de verão vêm me tomando, são a falta de tua presença e teu sorriso. Aquelas covinhas, que amo em tua face, dizendo-me inconfessáveis segredos de tua vida, de teus dias sem mim e tua ausência me tirando o ar, o chão. Ando confusa pela casa, procurando um xícara, um café quente, um livro, um abrigo, ou você. Já nem sei o que busco no meu aflito momento de estranho... E sou tomada por esse estranho, essa força que se apodera de mim e me rouba de ti, esse desleixo de luz que se perdeu, e eu entendo que esse estranho, esse estranho é só a saudade de teu riso pela casa alegrando meu viver!
Pego a minha chinela que mais gosto, então, eu visto meu traje de primavera, com muitas estampas felizes que parecem até mesmo debochar de minha solidão, e sigo caminhando pela rua em direção ao infinito e no fim de cada sílaba pronunciada pelo meu coração eu ouço teu nome, tua voz me chamando e eu vou cega, obediente, dengosa, vou sem medo em direção a você e sei que nos teus braços tudo ficará bem.