quarta-feira, 1 de abril de 2015

- FOI ASSIM QUE COMEÇOU...



 

Sua camisa impecável era em muito um par ideal para a calça preta que trajava. Ambos sequer seriam notados, pois o brilho vivo nos teus olhos era a  real mágica que te vestia. Deslumbrada apenas sorria quando teu olhar de boas vindas cruzava com o meu pelos corredores da loja, da rua, da vida. E quando ouvi o som de tuas palavras percorrem toda aquela sala e virem pousar sobre meus ouvidos atentos, e quando dei-me conta de sua gargalhada cheia de uma alegria infantil e sincera, e do tom peculiar em que mencionava a existência eu soube que era pra ser exatamente assim... Há os descrentes que dirão que tudo isso é balela, mas meus olhos pousando sobre teu sorriso abrasador não era uma piada de boteco, era uma dessas vielas do acaso. Caminhavas distraído e de longe eu te fitava, era de inicio um estranho simpático no meu viver, mais um rosto para lembrar nos sonhos, ou apenas alguém mais para dar bom dia em dias que desejasse verdadeiramente fazer isso... Que engano bobo os dias me provaram! Você, hoje que me ofereceu de pronto um lugar na mesa, e um tempinho das suas horas pra uma conversa simples sobre ‘nada com nada’, mas assustadoramente permeada de sorrisos, esse você cativou uma estrela e conquistou um pequeno pedaço desse comenta chamado ‘coração de mulher’...

Estava com os olhos entreabertos quando fui acordada de meu desvario, eu falava contigo e a internet me abandonou de súbito e senti sua falta... Deitei-me sobre as lembranças de seus gestos avexados e adormeci com a fixa ideia de sua presença... Deu nisso, um sonho destes que jamais teria coragem de mencionar em público com aquele menino lá de longe que sabe lá Deus o que pensa de mim, talvez nem tenha notado minha presença, haja vista eu ser sempre tão apagada entre as outras tantas caras e pernas a passearem distraídas por lá... Ou mais, talvez ele mesmo sabendo que existo não se importe, seja indiferente ao meu respirar como se eu mesma nem existisse mesmo existindo...

E agora estava ambos ali, você sorrindo, eu pensativa... E o fala com ele, puxa conversa, ao menos para ouvir um pouco mais sua voz aconchegante... Não saia da cabeça... Não teria ousadia de perguntar ‘Você é de onde? Gosto de ouvir você falar... Tá afim de ir na praia, cair na areia comigo e olhar para as estrelas do meu lado?...’ Sorri sem graça, era tarde demais, dera o primeiro passo e tudo agora estaria arruinado se não fosse ele responder e com gentileza aceitar de bom grado minha intromissão em sua refeição, sua vida e seus minutos posteriores...

E foi assim que começou... e começa sempre todos os dias...