sexta-feira, 30 de outubro de 2015

SENHOR DAS MINHAS NOITES

Esta noite sonhei com você e percebe-se pelo meu semblante que o sono foi bom e se dependesse de mim jamais acabaria... Talvez por isso eu ficasse por tanto tempo entre os lençóis esperando seu beijo de bom dia para levantar para uma nova vida, talvez pela certeza de que esse beijo não seria real eu adiasse ao máximo essa minha realidade cruel sem você. Lembro-me que no ultimo encontro você me deu um bolo daqueles imperdoáveis, mas eu com coração não somente te perdoei e ainda espero que volte, não foi nenhum ultimo momento memorável, é verdade, mas ainda mexe muito com meu coração, meu peito acelera de pensar no teu sorriso e tua voz graciosa sempre de bem com a vida, isso não tem preço no meu dia.
Na verdade, analisando cruelmente e friamente os fatos fica óbvio que de sua parte jamais houve nenhum tempo de sentimento, mas quem disse que eu como uma romântica ou como diria Thiago ‘maldita romântica’, não poderia fazer essa observação tão dura e destruir aquelas pequenas ilusões rosa que se criaram aos poucos a cada instante que te encontrava. E quando você fingia sentir eu sentia-me feliz, alimentava uma bonita mentira no meu intimo, e a noite quando a cabeça pesada do dia pousava no travesseiro sua lembrança era o céu a guiar meu descanso, como alguém em sua plena consciência livrar-se-ia disso, dessa paz que sua ‘ausente presença’ me trazia? Não poderia e nem você deixaria eu ir... Isso significava para você não ter olhos para vê-se amado, não ter um corpo como referência de porto seguro e não ter o som de uma voz sincera, ainda que boba e perspicaz, ainda que inocente, para te dizer que você poderia parar de respirar e mesmo assim jamais morreria porque quem é amado jamais é vitima da futilidade e inconstância do vulto sombrio da morte. Segurança e vida eu era para você. Ilusão e sonho você era para mim.
E não se iluda de que apenas houve nesta historia noites lindas de lua e vinho a dois, pois por alguns segundos houve também muitas vezes que te odiei por ver teus olhos em outros e notar imóvel tua busca desesperada por um abrigo seguro aqui e acolá, irritava-me saber que não me vias e que não notavas que tua verdadeira fortaleza te seguia de perto a cada instante, mesmo assim seu refúgio era um seio de uma estranha mulher da noite, e a cada noite experimentavas um novo e frágil refugio inútil.
E de que me vale lembrar-me das horas ruins se o sonho, o sorriso, o tom da voz e gosto do seu beijo está ainda aqui em mim e sua lembrança e sua declaração de amor que nada mais é que um engano é o que me sustenta nos dias de densas nuvens cinza? Então se me amou ou não amou o importante é que ainda estamos aqui e vez ou outra você aparece para trair minha segurança, perturbar minha paz e iludir-me mais um pouco... Enfim... Seu desamor, meu amor, mantém-me viva e até certo ponto arrisco dizer que sou feliz por ter você, mesmo não tendo! São noites de solidão em sonhos que buscam por companhia.