sexta-feira, 15 de julho de 2016

CAMINHOS DO CORAÇÃO

Caminhava distraída por uma esquina qualquer e cruzei com o ex-amor da minha vida. Agora casado, agora com um pirralho barulhento e uma senhora divina do seu lado. Fiz o que qualquer pessoa sensata faria e cumprimentei a família sorrindo com total deboche por saber que isso era do que ele mais fugiu na vida. Tinha o semblante cansado, parecia exausto de obrigações ou da vida, não sei e nem importa. Segui meu caminho e depois daquele dia nunca mais soube dele...
Até o dia fatídico que ele bateu em minha porta e abraçou-me inesperadamente pedindo um minuto de minha atenção, preciosa a esse ponto da vida, mas caridosa também. Estava disposta a ouvir suas lamúrias e mesmo com dúvida, se ia rir ou comover-me ao final, eu resolvi arriscar. Resultado do papo é que estava viúvo, havia perdido a família num acidente de avião, sentia-se culpado porque desejando um descanso deles mandou-os para umas férias em Los Angeles e a tal fatalidade ocorreu, e apesar de ter decidido por ficar comovida, também o chamei mentalmente é claro, de ‘assassino sórdido’ e tantas outras coisas indizíveis.
Ficamos muitas horas a falar sobre os acasos da vida e recaímos na pergunta essencial que não havia ainda nem sido feita, nem respondida ‘ Como achou minha casa?’. Disse que tínhamos um amigo em comum que queria que a gente se ‘entendesse’. Ri por dentro porque se entender dava a entender para alguém alheio a tudo isso que tínhamos algo e que tínhamos, por exemplo, brigado e por isso precisávamos nos entender, mas não era nada disso. O fato é que ele havia ficado sozinho e todo o tempo que me deixou sozinha para ele já não importava. Imaginou na sua cabeça criativa que ficaria tudo bem agora que sozinhos poderíamos ficar unidos.
Ficamos nesse moído por uns três anos adicionais, aquele velho chove num molha que já estava cansando todo mundo. E enfim a gente encheu nosso próprio saco e resolvemos tentar ‘três anos e meio de viuvez ensinaram a dar valor à companhia’ isso fundamentou uma nova esperança dentro de ambos e então, agora velhos demais para aventuras, velhos demais para brigas, velhos demais para solidão, mas não velhos demais para amar... Resolvemos nos casar. Parece ridículo para alguns, parece belo para outros, mas isso é o de menos para nós. Estamos tentando apenas ser felizes!


Eu poderia até nem saber que daria errado, mas no intimo entendia que essa chance era bem maior do que dá certo. Mas, que opção eu tinha não é mesmo? Quando o ‘amor’ chama a gente vai mesmo sem saber se é para vida ou para morte... Talvez seja esse o carrasco mais ousado porque nesses casos a gente simplesmente vai... E vai sorrindo...



quarta-feira, 13 de julho de 2016

-RELACIONAMENTO SÉRIO


‘Não me apeguei a você. Jamais! Claro que não, que coisa mais ridícula, eu apegada á você... Tem até graça. Você acha isso só porque eu fico compulsivamente, mas não racionalmente vendo seu perfil no watts? Só porque eu durmo com aquela sua camisa azul para sentir seu cheiro? Só porque eu fico vendo suas fotos e fazendo montagens de seu rosto com o meu? Só porque eu toda vez que passo de ônibus dou um giro de 360 graus na cabeça para olhar sua janela? Que ridículo! Isso não é apego, nunca foi meu Bem! Isso é amor!’
Att
Eu
Eram essa as belas palavras da carta de amor que eu planejava escrever quando numa dessas ‘viagens’ pela sua rede social eu vi a frase deteriorante e avassaladora, a pior que uma romântica moça alheia à realidade poderia ver –‘Num relacionamento sério’- E não era comigo, espera... Tem alguma coisa realmente errada nessa palhaçada toda! A gente havia saído no domingo, você gostava era de mim, lembra?
Caí no sofá, levantei-me e fui cair na cama, afinal é bem mais confortável e até metódico sofrer e até chorar colada no seu travesseiro, eu gosto de padrão, por isso fui fazer o que qualquer pessoa metódica faz, chorar no travesseiro. Depois aquelas frases pessimistas começaram zunir na minha cabeça. Tudo bem faz parte! Não entendi nada... Parecia estar em choque, sentia-me como se uma mão ousada tivesse ‘andando’ ainda mais ousada dentro do meu corpo como se procurasse algo e de repente achou... Puxou-o furiosamente e o tirou de dentro para fora sangrando. Essa era a sensação que esse ‘amor trouxa’ deixou em mim. Aquela tarde estava perdida... E realmente se não tivesse outras coisas mais importantes para fazer naquele dia, estaria ferrada.
Abri a janela e vi o sol descarado dando na minha cara com seus raios fartos de luz, o céu parecia propicio ao recomeço. Então, o que poderia esperar... Vamos recomeçar, falava isso comigo como se fala com aquele cachorrinho amigo ‘pega Fred’. Não importava, depois de muito pensar, refleti que não servia mesmo... Ele estava num relacionamento sério... Quem ia querer uma maldição como essa? Eu prefiro os relacionamentos cheios de graça, de piadas, trollagens, risos e diversão, AMOR PALHAÇO É QUE FAZ SENTIDO... Danem-se os relacionamentos sérios!




sexta-feira, 1 de julho de 2016

-O AMOR DE TEREZINHA

A gente se separou nem lembro porque, assim como também não lembro porque ele casou com outra e eu casei também um pouco mais tarde, depois de ter tido uma filha avulsa de um curto relacionamento fracassado. Não lembro bem se ainda pensava nele, mas acredito, mesmo duvidando que não. A única coisa certa era que ele havia sido o único que meu coração já amou. Naquela ocasião eu era viúva de um bom homem que viveu comigo até o último suspiro, e apesar de não nos amarmos, sempre nos respeitamos muito... Mas, hoje certa farmacêutica ouviu com bom ânimo minha história e nem me falou, mas sei que gostou, acho que ela viu nos meus olhos o tamanho do amor que sinto, ou talvez tenha notado o sorriso bobo ainda, apesar de todos esses anos, toda vez que eu falava o nome dele. Acho que se fôssemos falar de pontos altos na conversa, o momento que disse que ele é ‘meu amparo e que jamais até hoje me havia falhado’, foi quando ela mais pareceu tocada.
Estava na loja, trabalhava com meu esposo num loja de peças de motos e naquele dia ele havia se ausentado para pagar uma conta de luz, assim estava sozinha no atendimento quando abaixei para pegar o bloco de notas na gaveta 5 de uma armário de aço cinza que tínhamos, com 8 gavetas que não fazem a menor diferença nessa historia, enfim, quando um moço disse sorridente ‘Moça, você poderia ver pra mim o orçamento dessas peças, vou fazer uma cobrança e volto já’, largou o papel e quando dei por mim ia saindo do estabelecimento e reconheci-o, mas implorei a Deus no fundo da d’alma que ele não o houvesse feito. E não fez, tinha pressa demais na ida porque da volta não escapei do sonoro e feliz “Tetê é você! ’, corei, acho que morri um pouco naquela hora, meu esposo havia sido traído 8 vezes que como o numero de gavetas é mera coincidência e nada te a ver com essa história, bom o fato é que sua cisma era grande demais para aceitar um estranho feliz por ver sua esposa, pedi que saísse e não voltasse mais ‘não quero problemas’.
Muito tempo se passou e nada mais soube daquele que havia sido o amor da minha vida e que não poderia deixar de ser, mas também não podia ser. Até que certo dia eu acordei viúva e sozinha... Soube que a mãe dele também havia morrido. E passado mais alguns meses encontrei com sua irmã que ao saber de minha tragédia sorriu animada e disse de supetão ‘Vou contar para Carlinhos’, ‘Não faça isso, só quero paz’, isso porque estava ciente de que era um homem casado, o que poderia me oferecer? Deixei essa história guardada na 3ª gaveta daquele armário do inicio da história que também não tem importância, o que importava mesmo era que aquela gaveta era um símbolo de tudo que tinha vindo do passado, era recente e precisava virar passado novamente.
Em outros tempos, soube que também ficou viúvo, mas ignorei essa parte porque não me convinha ter nenhuma esperança, apesar de amá-lo, o que óbvio que parecia ridículo já que havia sido um namorado de infância e eu nem lembrava o porquê de termos terminado. Mas, um dia no estabelecimento, já de saída para casa de mamãe, para um moto da energiza e um motoqueiro de capacete declara que vai cortar minha energia, fico furiosa ‘Não tenho contas atrasadas moço’, ele em tom imperioso ‘ mas, vou cortar mesmo assim porque é meu trabalho e consta uma pendencia’, pois, respirei fundo e zangada gritei ‘se vai cortar, corte e vai se vê comigo’. Ele então tirou o capacete e sorriu brincalhão, como se aquilo tivesse tido alguma graça, ‘Não sabia que ainda era brava assim’...
E pronto, foi nosso reencontro. Hoje, já velhos, com netos, bisnetos, e doenças, só o que podemos fazer é cuidar um do outro porque isso é amor...


Dedicado ao amor de Dona Terezinha (01/07/16)