quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

-UMA CARTA DE 2016

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Se tiveres algo mais a dizer então dizes logo. Fala mal, grita, bate na minha cara. Diz que roubei muito de você, seus sonhos, vidas, planos, desejos que nem sequer puderam brotar direito e eu já os furtei agressivamente e cruelmente. Eu sei que não agi do melhor modo, sei que fui impulsivo, desmedido, arrogante, bruto com você. Sei que foi um dos períodos em que mais cometi erros sequenciais e absurdos, induzi muitos a caminharem do meu lado rumo ao precipício, abusei de sua ignorância e os usei descaradamente. Eu os levei a crer que era uma boa decisão quando na verdade era o inicio do fim... Eu admito isso, errei muito sim!
Mas, pense compassivamente sobre mim, reveja seus dias, reconte suas horas, reviva tudo minuciosamente e responda com toda sinceridade que puder: Não houve sequer um acerto? Será que durante esse tempo não fiz absolutamente nada que você pode recordar e sorrir, que ao lembrar você tenha uma boa impressão daquele momento? Não houve sequer uma flor plantada no seu jardim cujo aroma você possa atribuir a uma obra minha? Ou uma vitória inesperada? Um sonho pequeno (sei que os grandes eu não deixei brotar) que foi realizado? Nem uma conquista inesperada? Uma oportunidade que você pôde abraçar e ser recompensado? Não há mesmo nada de bom que deixei em você?
Honestamente já não importa... Estou mesmo indo embora, não houve hipocrisia, não houveram promessas não cumpridas porque não pensei sequer por um momento prometer nada. E mais, eu sei que fiz mal, que fiz tão bem que você não me desejaria ver de novo, viver de novo... Mas, não fui de todo ruim, nem conseguiria ser... Então quando pensar em mim, por favor, esqueça o que tirei, peço desculpas por isso, lembre (se puder) de alguma coisa boa, um instante perdido no tempo em que consegui fazê-la feliz... Lembre-se disso e serei melhor da próxima vez... Mas, não prometo nada...



terça-feira, 27 de dezembro de 2016

-AINDA BEM QUE EU PEGUEI ESSE ÔNIBUS!

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Eu peguei o ônibus que faz o maior percurso por falta mesmo de opção naquele instante. Mas, o maior percurso transcorre dentro de nós um maior numero de pensamentos e para seres extremamente fáceis de devanear e perder-se em pensamento esse é até um momento de prazer singelo.
O fato é que senti ao longe um cheiro familiar, lembrei-me de casa... Da minha velha casa lá no curimataú, na minha Cuité que a chuva tem esquecido, com aquele cajueiro cansado na porta e sua imensa fadiga de seca, com seus retoques de isolada e sua áurea de saudade eterna de tempos que já não voltam mais... Sonhei ontem com a lua cheia, a lua mais linda do mundo, que em sua imensidão enchia os nossos olhos vista sobre a lagoa, aquele era o reflexo mais soberano e glorioso que havia naquele cantinho... Hoje está tão vazio, dá tanta saudade...
Lembrei-me então de outra eu que era bem mais jovem, bem menos cansada e mais sonhadora do que eu poderia descrever, lembrei-me do primeiro emprego (um dos) que deram um pouco certo, lembrei que aquele escritório cheio de papéis e números tinha um cheiro familiar como o que eu estava sentido agora... E eu já sabia definir aquilo que invadia minhas narinas me arrancando do presente e remetendo-me ao passado de anos juvenis, era cheiro de terça-feira! Isso mesmo! Aquele escritório tinha cheiro de terça-feira ou então a terça-feira é que tinha cheiro de escritório. Papeis e números confusos, lápis com borracha num vaivém infinito sobre aquelas folhas sofridas. Resquícios de memórias que se misturam e já não são nítidas, mas são profundamente tocantes. Outra lembrança que carrego de lá e o cheiro de móvel limpo, faxina de sábado e ‘chute’ de crescimento. Engana-se quem se espanta com tal expressão, aquilo foi o melhor que alguém poderia ter feito ou dito para aquela menina ‘Você não cabe aqui, porque você é muito maior que isso!’, quem não gostaria de ouvir algo assim? Tá bom, não foi bem assim, mas foi assim que significou para mim e no fim das contas não importa mesmo o que as pessoas falam, só importa o que a gente entende do que elas falam.
Acabando o trajeto se vão junto às memórias, creio que elas ficam perdidas entre uma curva e outra da estrada, as arvores as absorvem e ficam guardadas no seu néctar até que um dia do nada quando a gente menos esperar, a gente passa lá de novo e respira o cheiro da lembrança e torna-se feliz outra vez por mais alguns quilômetros de estrada!