sábado, 7 de abril de 2012

CARTA DE UMA SOLIDÃO


Não sei aonde que anda minha paz... Estes dias a vida tem me deixado meio aflita e triste. Vou contar-te como as estações fazem toda a diferença em minha vida. No verão vêm os amores, no inverno a solidão, no outono a esperança, e a primavera, esta daí não alcançou meu coração ainda...
Eu sou jovem, é uma verdade que alegra e mesmo assim não é suficiente para arrancar de mim um sorriso. Por que isso? Porque apesar de tudo há um vazio indefinível dentro de mim... Este vazio é algo que de algum modo já esta comigo desde que me entendo por gente, não sei se pode entender. O que acontece dentro de mim é que nem mesma eu sei muito sobre mim. Às vezes, faço e digo coisas que não fazem parte de minha alma. Digo-as por alguma razão no meu intimo, às vezes, nem meço a sua abrangência, nem o estrago que pode causar. É inconsequência linguística, imaturidade, não sei bem, um pouco de tudo isso. O que senti há pouco é que realmente não sei se há volta para o caminho que tomei algum dia. Prendi-me numa redoma, inventei um mundo só meu somente sai dele algumas vezes, por alguns sonhos, por amor... Todas as vezes que arrisquei ser eu mesma neste outro mundo ao qual não pertenço, saio meio torta, meio sem noção, meio sem saber como agir com a realidade que não posso mudar e moldar. Não pertenço a este povo, ou não pertenço a este lugar. É assim que sinto. É assim que é... Ando meio vagueando, perdida mesmo, tenho muitos medos, é verdade, mas consciente de que alguns deles são vãos eu caminho sozinha por essa estrada esquisita e feia que me coube. Não sei realmente se eu a escolhi, mas acho que ela é UMA única saída que se me apresenta todos os dias pela manhã. A primeira imagem que vejo é o vazio que me acompanha ao levantar e ao deitar... Não sei se alguém poderá quem sabe um dia, entender que tipo de coisa se passa dentro de mim. Também não me importo muito com isso, afinal que diferença fará para mim a opinião de alguém que pertence a esse ridículo mundo falso? De que valor tem para mim o sorriso de um amigo que faz parte desta sujeira hedionda que ronda este planeta? É isso que ouço, varias vezes, repetir-se dentro de minha cabeça. Imaginar que os outros não prestam e que nem me fazem a menor falta é apenas meu modo de sobreviver. Eu não vivo tentando ferir os outros, mas o faço, faço sim! E apenas o faço porque tenho de sobreviver, afinal este é um Mundo de feras, também tenho de ser fera, não é o que diz Augusto? Acaso ele mesmo não foi fera? Por que seria diferente comigo? É verdade que poderia ser diferente, mas não foi! E que culpa, eu, tenho por isso? Acaso escolhi ser fera? Acaso não foram os outros que me transformaram nessa ‘ triste fera’ que sou?’.
São inseguros meus passos, são frágeis as minhas mãos e meus olhos, de naja, são sutis, são minha perdição. A culpa não é dos outros, e sim dos meus olhos. A culpa é somente deles! Quem os manda ser assim? Quem os induz a revelar-me sem que eu mesma o faça? Não! Eu não poderia julga-los, penso que eles andam por aí, tão perdidos quanto eu mesma, tentando liberta-se de mim. É. Eles buscam a liberdade de dias que não conheço. Buscam a verdade dos outros revelando a minha verdade. Buscam a riqueza das almas, deixando como objeto de barganha a minha própria riqueza. Levam tudo, nada me resta. Sou traída pelos meus olhos que me são a perdição. Não há olhos ou boca, ou coração que suporte a miséria das almas humanas que nos cercam. A ignorância de sonhos que serão somente sonhos, por covardemente, nem sequer acreditarem que podem ser reais. Sou covarde também, mas estou aqui admitindo, isso já se torna em mim uma virtude. Mas, e aqueles com quem tenho de lidar todos os dias, acaso eles não são mais covardes do que eu mesma? Acaso sou eu que nego, que fujo e dou desculpas, que tenho medo de acreditar no amor? Acaso sou eu que não sei dizer não, quando isto é, no mínimo, necessário?
Disse para mim mesma que estou farta! E é isso! Estou farta de tudo! O que fizeram com minha alma? Por que me feriram a ferro e fogo? Por que doí tanto acreditar de novo e errar de novo? Dói. Logico que dói. É que é muito fácil olhar para alguém e dizer que você o ama. Não, você não se importa. Já se pegou questionando o que houve com aqueles que você disse que ama? Não? É que você apenas diz e vai embora. Nem se pergunta ‘ Será que ela ou ele acreditou? E se acreditou, como viverá agora, que estou indo sem aviso prévio’? Tenho sim consciência de que um aviso prévio não minimiza dor alguma. Mas, pelo menos abranda a dor da espera, afinal por que esperar por alguém que não vai voltar? Por que amar alguém que diz uma coisa hoje e amanhã não é sequer capaz de dizê-la novamente ou mesmo desdizê-la? Se bem que desdizer é muito estranho. Não se pode desdizer algo, mas você pode ‘ voltar atrás no que disse’, ou dizer o contrario, ou corrigir o que disse. Não! Não tente justificar o porquê de ter dito, nem tampouco a razão de estar me olhando nos olhos e, com ar de sincero, desdizendo tudo. Quer saber qual a sensação que tenho passeando dentro de mim com essa sua atitude bondosa de me poupar, alias, se quis me poupar por que não o fez antes de dizer o que disse e iludir-me com essas ‘tranqueiras’ de amor? O que sinto é muito parecido com o que se sente quando se está do lado de um precipício e o seu MELHOR amigo do nada o empurra com força para baixo, desejando, e você pode ver nos olhos dele, o seu fim. È que também eu estava à beira de um precipício e graças a você, eu caí nele de uma vez! Destruí-me e a culpa é sua! Por que resolveu me salvar na ultima hora? Acaso não sabe que nada, ouça bem, nada pode ser mais cruel do que salvar alguém de um fim digno para depois sujeita-lo ao abismo do desprezo? No poço em que me afundava estava abundando a todos a minha ‘gloriosa’ partida, enchia-lhes os olhos de prazer, eu podia sentir, mas tinha de haver alguém como você no meio da multidão, que se apercebendo de minha dor veio ao meu encontro e ‘abraçou-me com belas promessas de felicidade’ para posteriormente ser a mão que me empurra ao nada. Não compreendo. Por que não deixou tudo como estava? Por que tinha de querer carregar em suas costas este mal? Deixasse que me afundasse e pronto. Ninguém tinha nada a haver com aquilo, nem você! Então para que intrometer-se e apunhalar-me quando já sonhava com libertação? Não sabe! Sei que não sabe... E daí? Não me importo! Você também não se importou antes por que se preocuparia agora? Viva com essa culpa! Ela é meu presente de despedida para você, meu bem!
Eu vou embora, vou sim! Mas, antes me indignei a esclarecer as razões pelas quais devo partir, não! Não morra de inveja da minha atitude, você não poderia mesmo fazer ao menos isso! Custaria demais para você dizer a razão pela qual foi se adeus, ou com adeus, sei lá! Não me importo! È verdade que ainda eu o quero, mas se não dá, não dá e pronto. Para quê vou ficar insistindo em uma coisa dessas, atoa. Não... Eu vou agora e vou sozinha!