Não fazia sentido, aqueles invasores ali fora, batiam cada vez mais forte na porta e eu ainda paralisada olhava pela janela curiosa e apreensiva. Afinal, de onde vieram todos eles? Por que estavam juntos naquele domingo de chuva?
De raspão ao puxar um minúsculo pedaço da cortina, estava ele sério com braços cruzados e cara de poucos amigos, seus traumas de infância denominava-se ele. Ao seu lado, até deu pena, juro! Tinha um baixinho, barrigudo, meio loiro, vesgo, que parecia ter alguma coisa torta na perna, era o complexo de inferioridade, que batia quase na altura da porta do pet. Ainda atrás deste tinha uma mulher toda de preto, não vi seu rosto, estava coberto com capuz, mas no seu braço tinham umas marcas de algemas, como se tivesse vivido acorrentada por muitos anos, parecia descrente quanto a eu abrir a porta, era a solidão, estava com uma placa colada na manga, parecia que algum engraçadinho fez bullying com ela. Parecia muito só e triste e isso me tocou demais, por um instante segurei firme a maçaneta, mas sinceramente desisti pouco milésimos de segundos depois, pensei: “Ainda não consigo, droga!”.
A frente de todos um senhor com o rosto bem envelhecido repetia sem parar “Você só precisa de mim, você só precisa de mim, deixe-me entrar!”, era o tempo como sempre egoísta e presunçoso retrucava a mágoa. Esta última, a mágoa era quase invisível, totalmente diferente do desespero que ao seu lado só fazia cara de dor e gritava coisas inaudíveis.
Um barulho de água fervendo me fez lembrar o bule no fogo! Tão esquecida eu andava ultimamente, eram os remédios, imagino.
- Chega! Gritei com eles compassivamente como quem repreende sem querer e fui correndo concluir meu café, afinal, precisávamos daquela pausa.
🕵️♀️Crédito da Imagem
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