Não fazia sentido, aqueles invasores ali fora, batiam cada vez mais forte na porta e eu ainda paralisada olhava pela janela curiosa e apreensiva. Afinal, de onde vieram todos eles? Por que estavam juntos naquele domingo de chuva? De raspão ao puxar um minúsculo pedaço da cortina, estava ele sério com braços cruzados e cara de poucos amigos, seus traumas de infância denominava-se ele. Ao seu lado, até deu pena, juro! Tinha um baixinho, barrigudo, meio loiro, vesgo, que parecia ter alguma coisa torta na perna, era o complexo de inferioridade, que batia quase na altura da porta do pet. Ainda atrás deste tinha uma mulher toda de preto, não vi seu rosto, estava coberto com capuz, mas no seu braço tinham umas marcas de algemas, como se tivesse vivido acorrentada por muitos anos, parecia descrente quanto a eu abrir a porta, era a solidão, estava com uma placa colada na manga, parecia que algum engraçadinho fez bullying com ela. Parecia muito só e triste e isso me tocou demai...
Era uma agonia olhar aquela tela na parede que parecia tão sombria. Aquele homem de roupa preta pesada com botas até o joelho, numa mão uma faca e na outra um coração! Perguntava-me sempre por que ela havia adquirido aquilo e ainda mais exposto ali na sala. Talvez pretendesse aterrorizar os visitantes, talvez fosse eu que ela desejasse espantar. Bom, até aqui era apenas mau gosto o que achava que ela tinha. Mas, uma reviravolta me fez cair de queixos. De repente uma notícia se arrastava por entre os veus de fofocas e chegava aos meus ouvidos com esse tom mais ou menos " Ela fez isso mesmo? Roubou uma tela famosa e ainda expôs na sala? Meu Deus, quanta ousadia. Logo vi que ela não era normal". O que mais me admirava ao pensar no que ouvira era ela, a tela, ser famosa e valer milhões. Porque que a Licy não era "normal" eu já sabia faz tempo., essa era umas das razões mais bonitas pelas quais eu gostava dela. Seu pensamento circular me encantava, ela dizia coi...